Esta informação é apenas para fins educacionais gerais e não substitui o aconselhamento médico profissional. Sempre consulte um profissional de saúde qualificado para diagnóstico e tratamento.

Guia de Saúde para Viajantes na América do Sul

Guia completo para manter-se saudável viajando pela América do Sul. Cobre mal de altitude, doenças tropicais, segurança alimentar, vacinas e quando procurar atendimento médico.

Revisado medicamente em 12 de abril de 2026 por Dr. Pietra Stanicki

Visão Geral

A América do Sul oferece experiências extraordinárias, desde as trilhas de alta altitude nos Andes até as florestas tropicais da Bacia Amazônica. Porém, a diversidade geográfica e climática do continente também apresenta riscos à saúde que os viajantes devem compreender antes da partida. O mal de altitude afeta visitantes em cidades como Cusco e La Paz. Doenças transmitidas por mosquitos circulam nas regiões tropicais. Alimentos e fontes de água desconhecidos podem causar doenças gastrointestinais. Com a preparação adequada, a maioria desses riscos é perfeitamente gerenciável, e a grande maioria dos viajantes retorna saudável para casa.

Este guia reúne as informações essenciais de saúde que você precisa para viajar pela Argentina, Brasil e a região sul-americana em geral. Seja você um mochileiro percorrendo a Patagônia, um turista visitando as Cataratas do Iguaçu ou um estudante passando um semestre em Buenos Aires, entender esses riscos e saber quando procurar atendimento pode fazer a diferença entre um inconveniente menor e uma situação médica grave.

Mal de Altitude

O mal de altitude, ou doença aguda da montanha, ocorre quando o corpo não teve tempo suficiente para se aclimatar aos níveis reduzidos de oxigênio em elevações acima de 2.500 metros. É comum entre viajantes que visitam destinos andinos no Peru, Bolívia, Equador e noroeste da Argentina.

Sintomas geralmente aparecem de 6 a 12 horas após a chegada à altitude e incluem dor de cabeça, náusea, fadiga, tontura e dificuldade para dormir. A maioria das pessoas apresenta sintomas leves que se resolvem em um a três dias conforme o corpo se adapta.

Prevenção: A ascensão gradual é fundamental. Se possível, passe uma noite em uma altitude intermediária antes de subir mais. Evite exercícios intensos durante as primeiras 24 a 48 horas. Mantenha-se bem hidratado, mas saiba que a hidratação por si só não previne o mal de altitude. Medicamentos prescritos para altitude, iniciados 24 horas antes da subida, podem reduzir significativamente os sintomas. Converse com seu médico antes da viagem.

Quando se torna grave: O edema pulmonar de altitude (EPA) causa falta de ar em repouso, tosse persistente e aperto no peito. O edema cerebral de altitude (ECA) causa confusão, dificuldade para caminhar e alteração da consciência. Ambos são emergências médicas. O tratamento mais importante é a descida imediata para uma altitude menor. Se você ou um companheiro de viagem desenvolver esses sintomas, desça sem demora e procure atendimento médico de emergência.

Doenças Tropicais e Transmitidas por Vetores

Dengue

A dengue é transmitida por mosquitos Aedes, que picam principalmente durante o dia. Está presente em grande parte do Brasil, sendo endêmica em praticamente todos os estados, e também no norte da Argentina. Os sintomas aparecem de 4 a 10 dias após a picada e incluem febre alta, dor de cabeça intensa, dor atrás dos olhos, dor nas articulações e nos músculos, e erupção cutânea. Não existe tratamento antiviral específico. O manejo inclui repouso, hidratação e paracetamol para febre e dor. Evite aspirina e ibuprofeno, pois podem aumentar o risco de sangramento. A dengue grave, caracterizada por dor abdominal, vômitos persistentes ou sangramento, exige atendimento médico imediato. No Brasil, as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e postos de saúde estão preparados para o manejo da dengue.

Febre Amarela

A febre amarela é uma doença viral hemorrágica transmitida por mosquitos nas regiões tropicais da América do Sul, particularmente na Bacia Amazônica. A vacina é altamente eficaz e proporciona proteção por toda a vida. A vacinação é fortemente recomendada para viajantes que visitam a maioria dos estados brasileiros, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Brasília, Cataratas do Iguaçu e todos os estados da Bacia Amazônica. O Brasil não exige a vacina para entrada no país, mas a vacinação é recomendada para a maioria dos destinos. No Brasil, a vacina é oferecida gratuitamente pelo SUS em qualquer posto de vacinação. A vacina deve ser administrada pelo menos 10 dias antes da viagem. Os efeitos colaterais são geralmente leves, mas a vacina não é recomendada para pessoas imunossuprimidas nem para bebês com menos de 9 meses. Alguns outros países sul-americanos exigem comprovante de vacinação para entrada. Leve o Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia (CIVP) junto com o passaporte.

Prevenção de Malária

O risco de malária na América do Sul está concentrado na Bacia Amazônica e em áreas rurais de terras baixas. A maior parte da Argentina e as principais cidades do Brasil (incluindo São Paulo, Rio de Janeiro e Buenos Aires) são livres de malária. Se você planeja viajar para áreas endêmicas, a profilaxia antimalárica é essencial. Existem vários medicamentos antimaláricos disponíveis, cada um com diferentes esquemas de dosagem e perfis de efeitos colaterais. Consulte um especialista em medicina do viajante para determinar a melhor escolha para o seu roteiro.

Prevenção de Picadas de Insetos e Carrapatos

A proteção mais eficaz contra doenças transmitidas por mosquitos é a prevenção de picadas. Use repelente de insetos contendo 20 a 30 por cento de DEET ou 20 por cento de icaridina na pele exposta. Vista mangas compridas e calças durante os horários de maior atividade dos mosquitos. Em áreas rurais ou de floresta, durma sob mosquiteiros tratados com permetrina. Em regiões de cerrado, mata atlântica e florestas, coloque as calças por dentro das meias e verifique todo o corpo em busca de carrapatos após atividades ao ar livre. Remova carrapatos fixados com uma pinça de ponta fina, segurando o mais próximo possível da pele e puxando para cima com pressão firme e constante.

Segurança Alimentar e Hídrica

Diarreia do Viajante

A diarreia do viajante é o problema de saúde mais comum entre visitantes na América do Sul, causada por bactérias, vírus ou parasitas presentes em alimentos ou água contaminados. Os sintomas incluem diarreia aquosa, cólicas abdominais, náusea e, às vezes, febre. A maioria dos episódios se resolve em três a cinco dias sem tratamento específico.

A reidratação oral é a base do tratamento. Use sais de reidratação oral (disponíveis em qualquer farmácia no Brasil e na Argentina, sem necessidade de receita) diluídos em água limpa. Alternativamente, misture um litro de água mineral com seis colheres de chá de açúcar e meia colher de chá de sal. Antidiarreicos de venda livre podem reduzir os sintomas em dias de deslocamento, mas não devem ser usados se houver diarreia com sangue ou febre alta. Antibióticos podem ser indicados se a diarreia for grave, sanguinolenta ou acompanhada de febre acima de 38,5 graus Celsius.

Prevenção de Intoxicação Alimentar

Siga a regra geral: ferva, cozinhe, descasque ou deixe de lado. Coma alimentos recém-preparados e servidos quentes. Evite saladas cruas e frutas sem casca de vendedores ambulantes. Tenha cautela com frutos do mar e ceviche, a menos que confie no estabelecimento. Beba água mineral ou filtrada. Evite gelo nas bebidas a menos que tenha certeza de que foi feito com água purificada. No Brasil e na Argentina, a água tratada nas grandes cidades é geralmente segura, mas água mineral é aconselhável em áreas rurais e cidades menores.

Desidratação

A desidratação é um risco em climas quentes, em altitude e durante episódios de diarreia ou vômitos. Os sinais precoces incluem urina escura, boca seca, dor de cabeça e fadiga. Em casos mais graves, surgem tontura, taquicardia e confusão mental. Beba água de forma consistente ao longo do dia, aumente a ingestão em clima quente ou em altitude, e reponha eletrólitos se estiver suando muito ou perdendo líquidos por doença. Água de coco, amplamente disponível no Brasil, é uma excelente fonte natural de eletrólitos.

Vacinas para a América do Sul

Planeje sua consulta de saúde do viajante com quatro a seis semanas de antecedência para que as vacinas tenham tempo de fazer efeito.

Febre amarela: A vacinação é fortemente recomendada para viagem à maioria das áreas do Brasil (incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Cataratas do Iguaçu e todos os estados da Bacia Amazônica), bem como a áreas endêmicas na Bolívia, Colômbia, Equador e Peru. O Brasil não exige a vacina para entrada, mas alguns outros países sul-americanos exigem. No Brasil, a vacina é gratuita pelo SUS e está disponível em postos de saúde e centros de vacinação. Leve o Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia (CIVP) junto com o passaporte. Para informações atualizadas por destino, consulte as páginas do CDC para Brasil e Argentina, a informação da OMS sobre febre amarela e o portal da ANVISA sobre viajantes.

Vacinas recomendadas para a maioria das viagens à América do Sul incluem Hepatite A (transmitida por alimentos e água contaminados), Hepatite B (transmitida por sangue e fluidos corporais) e Febre Tifoide (especialmente para viajantes que visitam cidades menores ou áreas rurais). A série de vacinação pré-exposição contra raiva é recomendada para viajantes de aventura, aqueles que planejam estadias prolongadas em áreas rurais e qualquer pessoa com probabilidade de contato com animais. Certifique-se de que suas vacinas de rotina estejam em dia, incluindo tríplice viral (sarampo, caxumba, rubéola), difteria-tétano-coqueluche (dTpa) e COVID-19.

Sol, Calor e Riscos Ambientais

Queimaduras Solares e Proteção Solar

A radiação UV é intensa em altitudes elevadas e próximo ao equador. A 3.000 metros, a exposição UV é aproximadamente 40 por cento maior do que ao nível do mar. Aplique protetor solar de amplo espectro com FPS 30 ou superior a cada duas horas e após nadar ou suar. Use chapéu de aba larga e óculos de sol com proteção UV. Trate queimaduras solares leves com compressas frias, aloe vera e anti-inflamatórios orais. Procure atendimento médico se a queimadura apresentar bolhas em uma área extensa, ou se for acompanhada de febre, calafrios ou confusão mental.

Exaustão por Calor

A exaustão por calor se manifesta com sudorese intensa, fraqueza, náusea, dor de cabeça e câimbras musculares. Vá para um local fresco, remova roupas em excesso, aplique água fria na pele e beba líquidos. Se os sintomas não melhorarem em 30 minutos ou progredirem para confusão, cessação da sudorese ou perda de consciência, pode se tratar de insolação, uma emergência médica que requer atendimento profissional imediato.

Enjoo de Movimento

As estradas sinuosas de montanha nos Andes e viagens de barco na Amazônia podem provocar enjoo de movimento. Medicamentos de venda livre para enjoo de movimento, tomados 30 a 60 minutos antes da viagem, são eficazes para a maioria das pessoas. Adesivos prescritos, aplicados atrás da orelha, proporcionam alívio mais prolongado. Sente-se na frente do veículo, olhe para o horizonte e evite ler durante o deslocamento.

Mordidas de Animais e Raiva

Cães de rua são comuns em toda a América do Sul, e morcegos, macacos e outros animais silvestres podem transmitir o vírus da raiva. Se for mordido ou arranhado por qualquer animal, lave imediatamente o ferimento com água e sabão por pelo menos 15 minutos. Essa medida isolada reduz significativamente o risco de transmissão da raiva. Aplique um antisséptico como a povidona iodada, se disponível.

Procure atendimento médico imediatamente para receber a profilaxia pós-exposição (PPE), que consiste em uma série de doses da vacina antirrábica e, para pessoas não vacinadas previamente, imunoglobulina antirrábica. No Brasil, a PPE é oferecida gratuitamente pelo SUS em qualquer UPA ou pronto-socorro. A raiva é quase sempre fatal quando os sintomas se manifestam, mas a PPE é praticamente 100 por cento eficaz quando administrada de forma oportuna. Não adie a consulta médica, mesmo que o ferimento pareça menor. Se você recebeu vacinação pré-exposição, ainda precisará de duas doses de reforço após a exposição, mas não necessitará de imunoglobulina.

Quando Procurar Atendimento Médico

Procure atendimento médico imediatamente se apresentar qualquer um dos seguintes sinais: febre acima de 38,5 graus Celsius persistindo por mais de 24 horas, diarreia com sangue, sinais de desidratação grave (tontura ao levantar, urina muito escura ou ausente), dificuldade respiratória em altitude, confusão ou alteração da consciência, mordida ou arranhão de animal, infecção de pele que se espalha com vermelhidão linear, ou dor abdominal intensa.

Como a CareThere pode ajudar: Navegar o sistema de saúde em um país estrangeiro pode ser estressante, especialmente quando você não está se sentindo bem. A CareThere oferece consultas de telemedicina em inglês, espanhol e português a partir de US$ 40, conectando você com médicos habilitados que compreendem a medicina do viajante. Para viajantes em Buenos Aires, oferecemos visitas médicas domiciliares a partir de US$ 80, para que você receba atendimento profissional no conforto da sua hospedagem. Também coordenamos encaminhamentos a especialistas, acompanhamos pacientes a hospitais locais e auxiliamos com a documentação de seguros. Para brasileiros viajando pela América do Sul, podemos ajudar a entender os sistemas de saúde locais e facilitar o acesso ao atendimento adequado.

Perguntas Frequentes

A água da torneira é segura para beber em Buenos Aires e São Paulo? A água tratada em ambas as cidades é geralmente considerada segura para adultos saudáveis. No entanto, o sabor e o teor mineral diferem do que muitos viajantes estão acostumados, e alguns visitantes apresentam desconforto gastrointestinal leve durante o período de adaptação. Água mineral é barata e amplamente disponível se você preferir evitar qualquer risco.

Preciso de medicação antimalárica para Buenos Aires ou Rio de Janeiro? Não. Buenos Aires é livre de malária, e as áreas urbanas do Rio de Janeiro não apresentam risco significativo. A profilaxia é recomendada apenas para viagens à Bacia Amazônica e certas áreas rurais de terras baixas. Porém, a dengue está presente em ambas as cidades, então a prevenção contra picadas de mosquito continua sendo importante.

Com quanta antecedência devo consultar um médico de medicina do viajante? Idealmente, agende uma consulta com quatro a seis semanas de antecedência. Algumas vacinas requerem múltiplas doses ou levam tempo para alcançar eficácia plena. Mesmo assim, uma consulta de última hora é valiosa, pois muitas medidas de proteção podem ser iniciadas próximo à data de partida. No Brasil, os Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIEs) oferecem orientação especializada para viajantes.

O que devo incluir em um kit de saúde para viagem? Inclua sais de reidratação oral, analgésicos e antitérmicos, um anti-histamínico, repelente de insetos com DEET, protetor solar de amplo espectro, curativos e lenços antissépticos, antidiarreicos e qualquer medicamento de uso contínuo. Considere adicionar um antibiótico prescrito para diarreia do viajante grave, medicação para altitude se for visitar destinos elevados, e um termômetro. Consulte seu médico antes da viagem para determinar quais medicamentos prescritos incluir.

A CareThere pode me ajudar se eu ficar doente durante a viagem? Sim. A CareThere oferece consultas de telemedicina, visitas médicas domiciliares em Buenos Aires, acompanhamento hospitalar e coordenação de cuidados na Argentina e no Brasil. Agende uma consulta ou entre em contato conosco pelo WhatsApp: +55 53 99999-1324. Entre em contato conosco a qualquer momento para orientação sobre se seus sintomas necessitam de avaliação profissional.

Precisa de Ajuda Médica?

Nossos médicos credenciados estão disponíveis para consultas de telemedicina no mesmo dia e visitas domiciliares em Buenos Aires.

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